Por Vanessa Massoni da Rocha
Meu primeiro contato com Aminata Sow Fall foi na disciplina “Literaturas francófonas II” na Universidade Federal Fluminense (UFF). Àquela altura, tinha acabado de completar a maioridade. O livro L’appel des arènes (O chamado das arenas) integrava o programa do curso ministrado por Vera Lucia Soares. A presença de Aminata consistia em um desvio afetuoso da professora. A ementa do curso não previa textos da literatura senegalesa. Nela, podíamos ler magrebe, área em que Vera transitava com desenvoltura, graças a suas pesquisas sobre autoras como a argelina Assia Djebar1, entre muitas outras dicções francófonas do norte da África, mais precisamente da Argélia, do Marrocos e da Tunísia. Naquele momento, não me ocorreu perguntar para a professora o porquê do desvio. Lembro-me de que o livro foi separado em capítulos e que cada estudante preparou uma apresentação em francês para a turma. Como responsável pelos capítulos iniciais, acrescentei à minha exposição uma entrevista com a autora, na qual ela discorria sobre o ofício de escritora e o apelo da terra e das questões inerentes a seu país como temáticas centrais de seus interesses. A foto da autora de turbante no cabelo chamou a atenção de meus colegas. Era a primeira autora negra francófona de nosso repertório. De alguma forma, pavimentou o caminho percorrido, mais tarde, por Simone Schwarz-Bart, Maryse Condé, Fatou Diome...
Grande salto temporal. O ano é 2026. Neste ano, mais precisamente no dia 27 de abril, a escritora senegalesa Aminata Sow Fall completa 85 anos. Trata-se daquelas datas simbólicas em que as matriarcas das letras reiteram o título de grandes baobás. Vejo o anúncio da editora Bazar do Tempo sobre o lançamento de A greve dos mendigos, ocorrido no ano anterior. Trata-se da primeira tradução de Aminata para o público brasileiro. Um livro-comemoração. Um texto-apresentação. Uma lacuna imensa que começa a ser preenchida. Uma espera de quase cinquenta anos entre a publicação original e sua chegada no mercado editorial brasileiro. É a quarta voz feminina senegalesa que aporta por aqui, após Fatou Diome2, Mariama Ba3 e Rama Salla Dieng4. Apresso-me em adquirir o romance. E, assim que ele chega, folheio suas páginas. Uma edição primorosa à altura da grandiosidade da mestra. O movimento evoca a Vanessa-estudante e assim se realiza um reencontro que confunde os limiares do tempo. De alguma maneira que não sei explicar, as páginas do livro que não conheço e não li na faculdade evocam a mulher em sua recém-maioridade, as aulas no Instituto de Letras do campus Gragoatá, a descoberta da literatura senegalesa e de uma autora mulher negra em uma formação ainda vinculada maciçamente às vozes brancas, masculinas, europeias, canônicas. Neste reencontro, Aminata está diante de uma professora de literaturas francófonas que ocupa como docente as salas de aula onde realizou sua formação, tanto na graduação quanto na pós-graduação. Realiza pesquisas sobre o Caribe, é verdade, mas se deixa atravessar (e afetar) por outros discursos, principalmente de mulheres negras francófonas.
Volto às entrevistas com Aminata Sow Fall. Estão disponíveis em quantidade bem reduzida, ilustrando a vida reservada da autora. Aminata nasceu em 1941, quando o Senegal estava sob domínio da colonização francesa, o que perdurou até 4 de abril de 1960. A escritora faz sua estreia em 1976, com o romance Le revenant (O fantasma, em tradução livre), aos 35 anos de idade. Três anos mais tarde, publica sua obra-prima, La grève des bàttu (1979), traduzida em português como A greve dos mendigos, por Mirella Botaro. A publicação do livro confere distinções imediatas à autora: a outorga do Grande Prêmio Literário da África Negra (1980) e a presença como finalista do Prêmio Goncourt de 1979, o mais prestigioso prêmio francês de literatura.
Em sua narrativa autobiográfica Mets et merveilles (Pratos e maravilhas) (2015), Maryse Condé, escritora caribenha laureada com o Nobel alternativo em 2018, relata os bastidores da corrida pelo prêmio:
Fiquei particularmente impressionada com Aminata, vestida com um elegante boubou5 bordado e usando um grande lenço na cabeça. Corria o boato de que seu romance, A greve dos mendigos, provavelmente ganharia o Prêmio Goncourt. Ela riu disso:
- "Você não pode estar falando sério!", protestou. "Nesse caso, a França não seria mais a França."6, 7
O fragmento explicita o ambiente hostil oferecido à Aminata nos idos de 1970-1980, quando ocorre sua estreia literária. De maneira irônica, ela confessa que sua vitória desestabilizaria o modus operandi francês, pouco avesso ao reconhecimento feminino e às vozes não europeias e menos avesso ainda às dicções negras femininas. Naquele ano, a escritora acadiana Antonine Maillet foi agraciada, sagrando-se como primeira pessoa não europeia a ganhar o Goncourt. Foi apenas a quarta vez que o prêmio foi outorgado a uma mulher, desde sua criação em 1903. Hoje, há treze mulheres no panteão do prêmio. Para que não percamos o registro: apenas em 2009 o Goncourt foi entregue a uma mulher negra, a franco-senegalesa Marie NDiaye.
Em entrevista8 concedida em 1982, Aminata Sow Fall é inquirida, de maneira constrangedora, sobre o espaço da escrita em um cotidiano marcado pela maternidade e pelo casamento. Sabemos que nenhuma dessas questões seriam endereçadas a um homem. Entendemos que cada indagação carrega junto a si o desconforto de acompanhar a ascensão intelectual e política de uma mulher negra africana; de uma mulher que se impôs e floresceu em um campo repleto de antipatia e de desdém. Opto por reproduzir três questões na íntegra, pois qualquer paráfrase abrandaria a violência que salta de cada formulação, mascarando o machismo, a misoginia e o racismo que insistiam em mostrar suas faces. Creio que seja oportuno conhecermos a maledicência que Aminata precisou enfrentar para ocupar um lugar no cenário literário senegalês, africano e francês.
Sua família. Você se dedica inteiramente a ela? Você tem tempo para cuidar dela?
Ah, sim! É exatamente isso que eu valorizo. Não quero sacrificar minha vida familiar; isso é muito, muito importante para mim. E acredito que, na hierarquia das coisas, ela vem em primeiro lugar. Digamos que tenho um profundo respeito pela ideia de família e, se eu tivesse que sacrificar minhas atividades profissionais ou literárias pela minha família, acho que o faria. Mas, felizmente, essa escolha não é um problema.
É verdade? Se fosse uma pergunta, você realmente a teria feito?
Sim, eu teria. Eu não teria sacrificado minha família porque acredito que não tenho o direito de deixar meus filhos se perderem. Eu tenho filhos, tenho minha casa, minha família, tenho meu marido. Escolhi uma certa visão de vida familiar e, sinceramente, não vejo nenhum preço que me faria sacrificar essa família por qualquer outra coisa.
Falando em seu marido, você nunca o negligencia por estar escrevendo?
Não. Quando escrevo, não negligencio meu marido, meus filhos, nem mesmo meu trabalho. Escrevo no meu tempo livre, quando realmente tenho tempo. Geralmente é quando tenho folga ou, às vezes, de manhã cedo ou durante o dia, quando tenho tempo livre.
Esta entrevista ocorreu em 1982, repito. Aminata é instada a comprovar que sua atividade literária, um deleite, quiçá um capricho, não desabona a conduta em seu lar e não oblitera a necessidade de cuidados com a família numerosa. Ela teve sete filhos com o compatriota Samba Sow, que conheceu em Paris quando emigrou para fazer seus estudos em Letras Modernas na Sorbonne. Depois do casamento, em 1963, o casal retorna ao Senegal em 1970, onde Aminata se dedica à profissão de professora.
Ela conciliou o quanto pôde o exercício do magistério com uma relevante atuação político-social, que enumero de maneira não exaustiva. Integrou a Comissão Nacional de reforma do Ensino do Francês. De 1979 a 1988, foi diretora das Letras e Propriedade Intelectual junto ao Ministério da Cultura. Foi igualmente diretora do Centro de Estudos e de Civilizações. Fundou a editora Khoudia, o Centro Africano de Animação e de Trocas Culturais (CAEC), o Escritório Africano para a Defesa das Liberdades do Escritor (BADLE) em Dacar e o Centro Internacional de Estudos, de Pesquisas e de Reativação sobre a Literatura, as Artes e a Cultura (CIRLAC) em Saint-Louis. Esta verve ativa se mostrou decisiva para que Aminata Sow Fall fosse nomeada uma das cem personalidades senegalesas que desempenham um papel decisivo em seu país. Ao comentar o reconhecimento, declara em entrevista a James Gassch (2000):
Acredito firmemente que a literatura, a cultura e a arte em geral são de suma importância para o equilíbrio e o florescimento dos indivíduos e das sociedades. Aqueles que se dedicam a essas áreas oferecem um reino de sonhos sem o qual nossas vidas se reduziriam à mera fome e seriam governadas apenas por nossos instintos. Isso seria terrível, não é?9
No que diz respeito à literatura no Senegal no século XXI, Aminata menciona seus votos: “Que o mercado editorial floresça, que os escritores possam escrever e que todos os leitores em potencial tenham os meios para ler. Escrever e ler são atos de liberdade e libertação das amarras da mente”.10 O percurso da autora testemunha o seu compromisso com a liberdade e a construção de consciência crítica. Ela produziu principalmente romances, embora tenha publicado contos e um livro sobre gastronomia, Un grain de vie et d'espérance (Um grão de vida e de esperança) (2002), que coaduna histórias sobre a arte de comer e receitas. Aminata publicou com certa recorrência até 2005, quando se retirou da vida literária para retornar mais de uma década mais tarde, com o romance L'Empire du mensonge (O império da mentira) (2017). Trata-se de sua publicação mais recente até a presente data.
Desde sua estreia, seus textos se debruçam sobre temas sensíveis para a sociedade senegalesa e conferem importância particular aos valores, à dignidade, à moral e ao comportamento em sociedade. Apresento brevemente três deles. Em O chamado das arenas (1982), a intriga gira em torno dos conflitos entre a modernidade ocidental e os valores tradicionais, representados pela luta livre senegalesa e o toque vibrante dos tambores. O texto acompanha o dilaceramento de um jovem de doze anos que, a despeito de um cotidiano no ritmo e nas benesses da elite ocidentalizada, ainda sente palpitar em si a tradição cultural e histórica de musicalidade e de dança típicos do país. Em O fantasma (1976), o personagem Bakar Diop comete um desvio público de fundos para dar vazão ao sonho burguês de grandeza de sua família, vivendo de maneira luxuosa e mantendo um séquito de interesseiros em torno de si. Ao ser descoberto pelo crime, é preso, cai em desgraça e se vê solitário. Acaba forjando a própria morte e observa em seu funeral a ostentação da elite local disposta a exibir mais seus pertences do que seus verdadeiros sentimentos. Já A greve dos mendigos (1979) mostra a colisão entre as políticas higienistas na capital Dacar e a importância da manutenção de mendigos para serem agraciados com oferendas e esmolas. O texto explicita pelo menos dois preceitos da religião muçulmana: o sacrifício ritual de animais como o boi e o carneiro e a caridade como forma de benevolência e solidariedade. A este respeito, o Alcorão, na Surata Al-Hajj (A peregrinação), versículo 37, preconiza que: “Nem suas carnes, nem seu sangue chegam até Deus; outrossim, alcança-O a vossa piedade. Assim vo-los sujeitou, para que O glorifiqueis, por haver-vos encaminhado. Anuncia, pois, a bem-aventurança aos benfeitores.”11 A religião muçulmana é praticada atualmente por 97,2% dos senegaleses, segundo o Relatório de Liberdade Religiosa Internacional do Departamento de Estado dos EUA12. Quando da escrita do romance, no fim da década de 1970, o percentual de muçulmanos atingia a cifra de 76%.13
A despeito de suas diferenças, as narrativas de Sow Fall mencionadas compõem sátiras sociais e descortinam o tortuoso caminho entre o “ser” e o “parecer”, entre a natureza individual e o delírio de ações hipócritas ancoradas em uma sociedade capitalista em que a ambição dita muitas normas e coloca o ser humano à prova. Desta forma, observamos na tessitura da autora a recorrência de temas candentes nas sociedades, o que explicaria o frescor que emana de seus textos décadas após suas publicações. Estamos cientes de que suas histórias elegem o Senegal; contudo, suas intrigas são habitadas por personagens complexos que exibem o que há de mais humano: suas dúvidas, suas contradições, sua hipocrisia, sua adulação, sua ambição, sua fraqueza, sua ascensão, sua queda. Graças à capacidade de apresentar um caleidoscópio humano sofisticado, a autora assegura para seus textos uma recepção crítica calorosa em diferentes partes do mundo.
Isto explica, em parte, o fato de narrativas da autora se espraiarem para o domínio de outras artes. A título de exemplificação, A greve dos mendigos ganhou em 2000 sua versão cinematográfica, pelas mãos do cineasta maliano Cheick Oumar Sissoko, sob o título de Bàttu, e O chamado das arenas migrou para a grande tela em 2008 pela ótica do diretor senegalês Cheikh Ndiaye. Observa-se que as adaptações ocorrem mais de vinte anos após a publicação das obras, o que confirma a maneira contínua com que elas circulam no meio cultural senegalês e africano. No espaço teatral, A greve dos mendigos foi adaptado entre 2018 e 2020 pelo diretor Christian Valantin e O chamado das arenas esteve em temporada no Théâtre National Daniel Sorano em Dacar sob a batuta de Jean-Pierre Leurs.
Neste contexto, Aminata revela o compromisso de representar a vulnerabilidade humana como a linha de força de seu olhar para o mundo e de sua produção literária:
Minha preferência na escrita é transmitir que a riqueza humana é a mais nobre de todas as riquezas. Por essa razão, toda a humanidade deve salvaguardar a dignidade de cada ser humano, reconhecendo sua integridade, ou seja, seu direito inalienável de ser respeitado, independentemente de idade, sexo, origem, raça ou religião. [...] O sofrimento humano é um fenômeno universal. Acho que, em todos os lugares, aqueles que são sensíveis a ele têm a mesma reação ao sofrimento. Felizmente, porque se não fosse verdade, não haveria essa solidariedade internacional para lutar contra todas as formas de sofrimento, incluindo aquelas causadas pelo abuso de poder.14
Em outra narrativa autobiográfica, La vie sans fards (A vida sem maquiagens) (2012), Maryse Condé corrobora o modo como a tessitura de Aminata se inscreve no cotidiano da realidade senegalesa, tornando-se um veículo privilegiado de compreensão da vida e dos costumes do país africano:
Depois de Conacri, Dacar me causou uma excelente impressão. As ruas eram bem iluminadas, os conjuntos habitacionais da SICAP modestos, mas acolhedores. Além disso, eu já havia me acostumado com a face do Islã Negro: os enfermos, os aleijados e os indigentes aglomerados ao redor das mesquitas. Antes de ler A greve dos mendigos, o belo romance de Aminata Sow Fall que narra precisamente uma greve de mendigos, isto é, daqueles que carregam “bàttu”, tigelas de esmola em uolofe, eu havia compreendido a natureza ultrajante desse “espetáculo”. Seu propósito era lembrar aos ricos, muitas vezes esquecidos, de seu dever de caridade para com seus irmãos mais necessitados.15
Muitas são as temáticas contempladas em A greve dos mendigos, a saber: a ocupação das cidades, a caridade como preceito religioso muçulmano (esmolas; oferendas), a mendicância, o desprezo pelos mais vulneráveis, a construção da luta coletiva, a greve, a hipocrisia das elites e políticos e as políticas higienistas em Dacar, em crítica à presidência de Léopold Sédar Senghor16 (1960-1980). O romance privilegia ainda a relação entre poderosos e excluídos, ressignificada, na qual se observam algumas dicotomias, como desejo individual versus necessidade coletiva e ambição versus generosidade. Por fim, o livro examina a importância dos feiticeiros e a relação (in)fiel de um cliente com relação a eles e a poligamia, colocada em xeque pela nova geração feminina, representada pela filha que questiona a legitimidade do pai polígamo.
Alguns estudiosos defendem que o contexto do romance diz respeito à era do desencanto após 1960, quando houve a independência e a democratização, com a presidência de Senghor, que vigorou vinte anos. O sociólogo senegalês Elgas17 defende que “a governança do presidente senegalês, aparentemente amistosa, logo assume uma terrível máscara de ferro, reprimindo, torturando, prendendo opositores e marginalizando importantes personalidades intelectuais de oposição”. A publicação de A greve dos mendigos ocorre na fronteira entre o governo de Senghor, que se encerrou com uma renúncia em 1980, e a presidência de Abdou Diouf, que assumiu o cargo no ano seguinte. O pesquisador beninense Abdoulaye Imorou18 acredita que “o caminho comum terminou após a independência, seguindo o desencanto com os regimes ditatoriais que então estavam em vigor” e Antonia Thuin19 defende que A greve dos mendigos pode ser interpretado como “um livro da chamada era do desencanto da literatura africana de expressão francesa, por mostrar o fim da lua de mel entre população e governantes do pós-independência”.
Permito-me encerrar este percurso afetivo-literário com um episódio da confraria feminina estimulada e nutrida por Aminata Sow Fall. Recorro novamente à Maryse Condé no texto de 2015, quando ela comenta sua presença na capital senegalesa para o lançamento do livro Segu20. A atmosfera era desfavorável. Um boicote se organizava.
Anos depois, voltei a Dacar para a publicação de Segu. Como já disse, este livro foi alvo de uma conspiração nos países africanos onde o apresentei. A ordem havia sido dada aos escritores para boicotarem minhas palestras. Em Dacar, Sembene Ousmane e Aminata Sow Fall foram os únicos que se recusaram a submeter-se a essa imposição.
— “Se não gostarem do seu livro”, disse Sembene secamente, “que venham dizer isso na sua cara e expliquem os motivos.”
— “Do que me acusam?”, murmurei, arrasada.
— “De ser mulher”, respondeu Aminata bruscamente. “Pois bem, vamos mostrar do que somos capazes.”
Foi ela quem me deu a coragem para me defender.21
Da arena deste tensionamento se levanta Aminata, disponível, generosa, valente, conclamando uma revanche feminina pela voz, pela escrita, pela coragem de ser o que se é. “Somos mulheres, vamos mostrar do que somos capazes”. Condé nunca se esqueceu do ensinamento e acolheu em sua autobiografia a lição da amiga. Peço licença ao dueto Maryse Condé – Aminata Sow Fall para entrar nesta arena, neste palco, neste mundo, nesta ciranda feminina. Trago comigo Vera Lucia Soares, minhas colegas de turma na UFF e tantas mulheres que ontem e hoje precisam de coragem. “Somos mulheres, vamos mostrar do que somos capazes”. A sentença se torna lema. Aminata Sow Fall encarna uma liderança, avança na frente. Seguimos todas.
Abril de 2026
Notas
- A este respeito, ver o livro A escritura dos silêncios – Assia Djebar e o discurso colonizado no feminino, de Vera Lucia Soares, publicado pela EdUFF em 1998. ↩
- Dela foram traduzidos para o português, até o momento, O ventre do Atlântico (2019) e Os vigias de Sangomar (2022), ambos pela editora Malê. ↩
- O clássico da literatura senegalesa Uma carta tão longa (2023), em tradução de Marina Bueno de Carvalho, está disponível no portfólio da editora Jandaíra. ↩
- Em Feminismos africanos – uma história decolonial (2025), a acadêmica e ativista feminista senegalesa Rama Salla Dieng reúne entrevistas com ativistas feministas de diversos países. A publicação é da editora Papeis Selvagens. ↩
- Trata-se de uma túnica longa, usada tanto por homens quanto por mulheres, geralmente chegando aos pés, com mangas largas e decote bordado. É vestimenta típica de países como Senegal, Mali, Nigéria e Mauritânia. ↩
- Condé, Maryse. Mets et merveilles. Paris: JCLattès, 2015, p. 324-325. ↩
- São de minha autoria a tradução para o português de obras literárias e entrevistas em francês. ↩
- «Les confidences de Aminata Sow Fall.», Amina 120 (nov. 1982), pp. 64-65. Disponível em https://aflit.arts.uwa.edu.au/AMINASowFall82.html. Acesso em 30 mar. 2026. ↩
- Disponível em https://aflit.arts.uwa.edu.au/int_gaasch2.html. ↩
- Ibid. ↩
- Disponível em https://www.islamnobrasil.com.br/kuran_txt/22.htm. ↩
- Disponível em https://www.state.gov/reports/2023-report-on-international-religious-freedom/senegal/. Acesso em 30 mar. 2026. ↩
- Kettani, Houssain. Muslim Population in Africa. Proceedings of the 2009 International Conference on Social Sciences and Humanities, Singapore, 9-11 October 2009. ↩
- Entrevista a James Gaasch, 2000. ↩
- Maryse Condé. La vie sans fards. Paris: JCLattès, 2012, p. 150. ↩
- Léopold Sédar Senghor (1906–2001) foi um filósofo e poeta reconhecido internacionalmente. Detém o título de primeiro negro a ser eleito para a Academia Francesa de Letras, em 1983. Integrou, ao lado de Aimé Césaire e Léon-Gontran Damas, a tríade que conduziu a Negritude, movimento político-cultural de reabilitação da origem negra e de elogio à cultura africana. Senghor escreveu a letra do hino nacional do Senegal, intitulado “O Leão Vermelho”. Conhecido como poeta-presidente, foi o primeiro presidente do país e teve um mandato polêmico e controverso. ↩
- Elgas. Os bons ressentimentos – ensaio sobre o mal-estar pós-colonial. Trad. de Diogo Cardoso. São Paulo: Sobinfluencia Edições, 2025, p. 51. ↩
- Imourou, Abdoulaye. Oralité, tradition, champ littéraire africain. Acta Fabula. França, 2009, vol. 10, n° 8, p. 53. Disponível em: http://www.fabula.org/acta/document5221.php. Acesso em 16 mar. 2023. ↩
- Thuin, Antonia Costa de. OOYINBO - Visões de um continente, p. 113. 24/04/2019. 195 f. Doutorado em Literatura, Cultura e Contemporaneidade. Instituição de ensino: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. Biblioteca Depositária: Biblioteca Central da PUC-Rio. ↩
- O primeiro tomo de Segu, As muralhas da terra, foi publicado pela editora Pinard, com tradução de Dyhorrany Beira. ↩
- Maryse Condé, 2015, op. cit., p. 324-326. ↩
Vanessa Massoni da Rocha é professora de Literaturas Francófonas na graduação em Letras e na pós-graduação em Estudos de Literatura na Universidade Federal Fluminense. É autora dos romances Cama de gato (Editora Coralina, 2022) e Dias Porosos (Patuá, 2024).

