Por uma história da arte anti-colonial
Novas perspectivas para pensarmos uma arte pós-colonial aprofundada e abrangente, por Anne Lafont.
A arte dos mundos negros
Anne Lafont
Tradução: Leo Gonçalves, Rita Paschoalin e Vivian Barga dos Santos
Os textos reunidos neste livro atestam o compromisso da francesa Anne Lafont com as novas perspectivas da história da arte. Baseando-se em uma intensa atuação entre pesquisas, curadoria e crítica, a autora traça um panorama sobre as imagens e a cultura material do chamado Atlântico Negro, possibilitando novas aberturas para repensarmos o que é a arte africana, bem como seus usos e sentidos no contexto da colonização.
Referência tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, Anne Lafont investiga como diversas produções artísticas são atravessadas pelas questões raciais e coloniais, aspectos até então pouco considerados no âmbito da historiografia. Com uma abordagem arejada e original, ela analisa o papel de resistência da arte feita por africanas e africanos no período da escravização, as marcações raciais presentes em obras cruciais da história da arte, e debate ainda as leituras mais clássicas da história e das ciências sociais sobre a produção artística dos mundos negros.
Uma africana no Louvre
Anne Lafont
Tradução: Ligia Fonseca Ferreira
No quadro pintado em 1800 por Marie-Guillemine Benoist, então uma artista parisiense de 38 anos, uma jovem negra exibe uma pose ao mesmo tempo altiva e serena. A maneira como a bela africana é representada procede de uma construção revolucionária, tanto do ponto de vista artístico quanto do histórico. A obra mudaria de nome algumas vezes, acompanhando mudanças de perspectiva da própria história da arte, até que Madeleine, a modelo, aparece como protagonista de uma historiografia renovada pelas questões da África diaspórica na época do tráfico atlântico. É essa a história que Anne Lafont quer contar.
"Exposta no Louvre em 1800, a obra foi objeto de inúmeros comentários publicados em libelos e jornais da época. Logo, ainda seria possível acrescentar mais uma pedra ao seu edifício interpretativo, uma pedra colonial. É o que me proponho a fazer neste livro”, afirma a autora, que reuniu uma série de obras internacionais e brasileiras, de diferentes períodos, para debater o tema.
Livro impresso em cores.



