Combo Vozes latinas femininas
O encontro de grandes escritoras latino-americanas em três livros arrebatadores.
Febre de carnaval
Yuliana Ortiz Ruano
Tradução: Larissa Bontempi
O carnaval, em que se misturam o trágico e o festivo, é o pano de fundo da narrativa que mergulha no universo exuberante e sensível de Ainhoa, cujo corpo de menina reverbera as histórias do clã de mulheres que a criaram – irmãs, mães e avós, que compartilham com ela, mesmo sem saber, suas dores, seus medos e seus desejos.
Em ritmo vibrante, ressoando as batidas da rumba e da salsa, Yuliana Ortiz Ruano constrói, a partir da vida de sua jovem protagonista, que busca refúgio aninhada no pé de goiaba ou no mar, um retrato das tradições afrodescendentes, da brutalidade patriarcal e das complexidades sociais de uma parte esquecida das Américas.
“Yuliana escreve sobre a festa e tudo o que nela há de arrebatamento, perigo e refúgio. Brilhante.” Mónica Ojeda
As vira-latas
Arelis Uribe
Tradução: Silvia Massimini Felix
Neste livro de estreia, premiado e já traduzido em diversos países, a chilena Arelis Uribe surge como uma espécie de cronista de uma geração de garotas que estão às margens. Em oito contos narrados em primeira pessoa por diferentes protagonistas, As vira-latas oferece uma visão caleidoscópica da experiência de ser uma jovem das classes populares do Chile nos anos 1990, quase sempre mestiça e circulando num cenário social degradado. São histórias de vidas precárias e errantes, envoltas nos acontecimentos da infância e juventude, ordinários ou não, que oscilam entre o conflito, o desejo e a ternura. Arelis dá voz a quem nunca falou, meninas sem pedigree, mas também sem amarras.
“A história do medo, do invisível, das que não contavam e agora contam, fazem deste livro o retrato mais vívido de nossa intensidade e desmesura, e planta, sem querer, a semente para a próxima revolução.” Gabriela Wiener.
A insubmissa
Cristina Peri Rossi
Tradução: Anita Rivera Guerra
Romance de formação autobiográfico de Cristina Peri Rossi, premiada autora uruguaia e uma das mais proeminentes escritoras de língua espanhola. Nele, acompanhamos sua infância e juventude, contadas a partir da estranheza e da perplexidade diante de um mundo sempre em conflito com os seus desejos: usar calças, não comer animais, ter uma biblioteca, escrever, amar outras meninas.
Através de experiências familiares, fabulações e do tempo de um dolorido amadurecimento, se desenha uma personalidade contestadora e determinada a viver os seus desejos mais profundos a despeito das interdições impostas ao comportamento e ao corpo de uma mulher.
“Eu lia com o deleite indiscriminado de uma viciada e de uma convertida. Minha religião era a literatura.” Cristina Peri Rossi
Eleito Melhor Romance estrangeiro de 2025 pela revista Quatro Cinco Um.




