Antigonick
Em Antigonick, Anne Carson oferece uma tradução singular da tragédia clássica de Sófocles. Sem abrir mão da força do original, ela assume a liberdade para reinventar ritmos, imagens e vozes, aproximando um dos textos fundadores da literatura ocidental da sensibilidade contemporânea e preservando toda a intensidade do confronto entre a lei do Estado e a consciência individual.
A singularidade de Antigonick também está no humor e na ousadia dos comentários intercalados ao longo do texto. Nessa leitura, o luto e a responsabilidade moral de honrar a memória do irmão morto ocupam o centro da tragédia. Creonte, homem da ação e da palavra, é retratado como um tirano brutal e sanguinário, até uma reviravolta final.
Há ainda a aparição original do personagem Nick, presente já no título. Figura silenciosa, ele mede as coisas sem jamais deixar o palco. Seu nome evoca tanto o corte, a incisão, quanto o instante decisivo. Assim, com Anne Carson, a tragédia milenar ressurge com radicalidade política e surpreendente invenção poética.


